PODCAST

Medicina do Conhecimento

Medicina do Conhecimento

Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar!
#124 Pré-aquecimento na prevenção da hipotermia perioperatória não intencional
Bom dia, boa tarde, boa noite! Esse é mais um podcast do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar neste podcast 124 falamos sobre Pré Aquecimento do Paciente para Prevenção da Hipotermia Perioperatória Não-Intencional. A temperatura corporal central é um dos parâmetros fisiológicos mais controlado pelo organismo. Apesar disso, durante o dia a temperatura corporal sofre variações, sendo menor pela manhã e maior ao final da tarde / noite. Com base nessa informação, a definição mais precisa de hipotermia é uma temperatura central de 36,4°C ou abaixo dela. É nessa temperatura que a disfunção celular, tecidual e orgânica podem começar a se desenvolverem. Para facilitar a compreensão da distribuição de calor dentro do corpo humano, optamos por dividi-lo em dois grandes compartimentos térmicos: O compartimento central com cerca da metade da massa do corpo e é responsável pela produção de toda a energia convertida em calor pelo organismo. O compartimento periférico, maior compartimento e apresenta temperaturas geralmente 3°C a 4°C abaixo da temperatura central. No entanto, essa diferença pode se tornar maior ou menor durante condições térmicas extremas ou condições patológicas. Tipicamente, os tecidos do compartimento periférico são 2°C a 4°C mais frios do que o compartimento central; a diferença de temperatura entre estes dois compartimentos térmicos é o gradiente de temperatura. Durante a cirurgia, a hipotermia inadvertida é tão prevalente, porque durante a indução da anestesia o intervalo interlimiar aumenta. Com anestesia geral, esta faixa aumenta aproximadamente de 0.2°C para 4.0°C; um aumento de 20 vezes. Durante a anestesia regional, há um aumento de 3 a 4 vezes na faixa interlimiar. O método mais efetivo de manutenção da normotermia intra-operatória é a prevenção por meio de aquecimento prévio, com o objetivo de elevar a temperatura periférica em maior escala que a temperatura central e promover, após a indução anestésica, menor gradiente entre a temperatura central e periférica, menor redistribuição de calor, resultando em menos hipotermia. O aquecimento da superfície cutânea, com circulação de ar a 43ºC durante uma hora, transfere calor suficiente para diminuir os efeitos da redistribuição. Prevenir a hipotermia perioperatória não é difícil nem caro. Em muitas especialidades médicas e cirúrgicas, medidas para manter a normotermia são estabelecidos como cuidado perioperatório de rotina para cada cirurgia realizada sob anestesia geral ou regional, independentemente da duração da cirurgia. A hipotermia perioperatória está associada a complicações graves, como infecções do sítio cirúrgico, cicatrização de feridas mais lenta, distúrbios de coagulação e sangramento aumentado. A perfusão na borda da ferida operatória pode ser comprometida pela vasoconstrição associada à hipotermia. O tremor também pode aumentar a dor pós-operatória. O melhor caminho para evitar complicações induzidas pela hipotermia é manter a normotermia. “Esse podcast tem o apoio científico da 3M Health Care. A 3M acredita no poder da ciência para criar soluções que impactam a vidas dos pacientes, profissionais e instituições de saúde, reduzindo complicações relacionadas à assistência à saúde, como a hipotermia perioperatória.” Fique ligado, afinal compartilhar é multiplicar!
12-11-2021
18 min
#123 Fases da hipotermia e como realizar a monitorização da temperatura
Bom dia, boa tarde, boa noite! Esse é mais um podcast do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar seguimos nesse assunto importante na nossa prática, manutenção e monitorização da normotermia peri-operatória Em episódios anteriores, definimos que a hipotermia inadvertida, definida como temperatura sanguínea central menor do que 36°C, é frequente durante a anestesia. A hipotermia pode ser classificada como leve (34 a 36°C), moderada (30 a 34°C) e grave (<30°C). O controle da temperatura corporal é obtido por meio do equilíbrio existente entre a produção e a perda de calor. A produção é realizada por fatores que determinam a taxa metabólica do organismo, como o metabolismo basal das células do corpo, e o metabolismo extra por meio de atividades musculares, por ação hormonal e outras. A perda de calor ocorre por dois aspectos: pela condução dos tecidos profundos até a pele e pela transferência do calor da pele para o ambiente. Didaticamente dividimos a as fases de hipotermia durante a anestesia em três fases: Fase 1: Ocorre redistribuição do calor do compartimento central para o compartimento periférico. A primeira fase do desenvolvimento da hipotermia é geralmente limitada à primeira hora da anestesia, período durante o qual a temperatura do compartimento central cai de 1°C a 1,5°C, a menos que os pacientes sejam ativamente aquecidos. Durante a fase 2 ocorre o declínio linear da temperatura central. A segunda fase da hipotermia se desenvolve entre a 1a e a 3a hora de anestesia, período durante o qual a temperatura do compartimento central declina outro grau ou dois. A redistribuição de calor do compartimento central, para o compartimento periférico ainda está ocorrendo, por causa da vasodilatação induzida pela anestesia. E finalmente, durante a Fase 3, ocorre o platô de temperatura no compartimento central. A terceira fase da hipotermia se desenvolve após 2 a 4 horas de anestesia. Sob anestesia geral, quando a temperatura do compartimento central atinge os 34°C a 35°C, o declínio linear diminui e um tipo de estado térmico estável, ou platô, emerge. O conteúdo de calor corporal continuará a diminuir, mas uma separação entre os compartimentos térmicos central e periférico se desenvolve, para reter o calor metabólico restante no centro. Com o uso de anestesia regional somente, entretanto, o corpo mantém alguma habilidade para regular a temperatura acima do nível do bloqueio. Um estudo descobriu que quanto mais alto for o bloqueio, maior será o declínio da temperatura do compartimento central. Para cada nível de dermátomo adicional bloqueado, a temperatura do núcleo diminuiu 0,15°C. E como realizar a monitorização da temperatura? De forma eficiente, um sistema de monitoramento de temperatura transcutâneo utiliza uma termometria de troca de calor nula para medir precisamente a temperatura interna de um indivíduo. Esse sistema aquece cuidadosamente o sensor criando uma zona isotérmica sobre ele mesmo. A partir do equilíbrio com a temperatura interior, evita-se a perda de calor da superfície da pele para o ambiente, estabelecendo-se uma condição de troca de calor nula. Quando esse sensor cutâneo da temperatura atinge um equilíbrio com a temperatura interior do paciente, a unidade de controle apresenta uma medição precisa e não invasiva da temperatura central. Cadastro ANVISA 80284930379 “Esse podcast tem o apoio científico da 3M Health Care. A 3M acredita no poder da ciência para criar soluções que impactam a vidas dos pacientes, profissionais e instituições de saúde, reduzindo complicações relacionadas à assistência à saúde, como a hipotermia peri-operatória.”
09-11-2021
16 min
#122 Exercício Físico COMMAT 2021#121 Nutrição COMMAT 2021#120 Saúde Mental COMMAT 2021#119 O Médico
Bom dia Conhecimento ! Nos outros dias da semana, podcasts sobre ciência e qualidade de vida. Na sua manhã de domingo, arte e cultura. Depois de ouvir esse podcast, se você gostar, deixe seu like, seu joinha e também um coração nos comentários! E mande para um médico que faz parte de sua história! Vamos nos conectar no mundo da poesia e do conhecimento. Segue mais um momento do conhecimento, um pouco de arte e cultura a qualquer momento em todo lugar. O texto desse podcast foi escrito por Rubem Alves. Teólogo, educador, tradutor, psicanalista e escritor brasileiro. Autor de livros de filosofia, teologia, psicologia e de histórias infantis. Nasceu na cidade de Boa Esperança, em Minas Gerais, Nos anos 80, tornou-se psicanalista através da Sociedade Paulista de Psicanálise. Passou a escrever nos grandes jornais sobre comportamento e psicologia. E tambem Foi Professor da UNICAMP Em seu livro, o médico, descreve o romantismo da medicina espelhado inicialmente por um quadro marcante, The Doctor O quadro original em óleo sobre tela foi pintado em 1891 e está exposto na Galeria Tate, em Londres. Foi encomendado pela Rainha Vitória e pintado por Luke Fildes. “A obra-prima de Fildes, que se tornou imediatamente popular, foi inspirada na morte de seu filho no dia de Natal de 1877, e pela devoção profissional do médico que lhe deu assistência. Ele deu a seu quadro um final mais feliz, pois mostra o momento, ao raiar do sol, quando a criança apresenta os primeiros sinais de recuperação. Fildes se esmerou em fazer com que o quadro fosse bem convincente, construindo um interior de chalé dentro de seu ateliê, posicionando a janela da cabana em frente à janela do mesmo. Levantava-se a cada dia bem cedinho a fim de pintar à luz matutina quando começava a penetrar no ambiente.” Sobre o quadro e sua experiência de vida, Rubem alves nos escreve em seu ivro, O médico..
17-10-2021
11 min
#118 Evidências científicas sobre aquecimento do paciente
Bom dia, boa tarde, boa noite! Esse é mais um podcast do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar citamos resumos de artigos que mostram ações efetivas na prevenção de hipotermia não intencional. Sessler e colaboradores mostraram que a perda de calor cutâneo é suprimida pelo aquecimento por ar forçado, o calor gerado somente pelo metabolismo basal pode reaquecer pacientes adultos em uma temperatura de aproximadamente 1°C/hora. Anesth, 1989. 71 Suppl (3A). Lennon avaliou um sistema de ar forçado para o aquecimento de pacientes hipotérmicos no pós-op. O tempo de permanência na SRA para o grupo com cobertores de algodão foi de 156,0 min e 99,7 min no grupo de aquecimento com ar DOI: 10.1213/00000539-199004000-00014 Camus avaliou a quantidade de calor transferida no aquecimento de ar forçado em cirurgia abdominal. O sistema de aquecimento forneceu ganho de calor nos pacientes anestesiados mesmo restrito aos MMII. ASA 1991 annual meeting. A hipotermia intraop leve aumentou a duração da recuperação espontânea durante a anestesia inalatória. A dose do bloqueador neuromuscular deve ser ajustada de acordo com a temperatura corporal usando a resposta de contração como um ensaio. Pacientes hipotérmicos devem ter tempo suficiente para se recuperar, mesmo após a reversão com neostigmina.DOI : 10.1097/00000542-200605000-00025 Giuffre comparou o Reaquecimento de pacientes no pós-operatório. Pacientes sem tremores foram reaquecidos significativamente mais rápido, e estavam prontos para a alta mais cedo, usando o ar forçado. PMID: 1836227 O aquecimento da superfície da pele antes da indução anestésica evita a queda da hipotermia por Redistribuição? Concluímos que a hipotermia após a indução da anestesia geral pode ser reduzida pelo pré-aquecimento da superfície da pele antes da indução. DOI: 10.1097/00000542-199109001-01003 Entre terapias de aquecimento intraoperatório, um ensaio clínico prospectivo de pacientes de transplante de rim mostrou que sistema de aquecimento de ar forçado, aplicado a uma área limitada da superfície da pele, transferiu a maior parte do calor e manteve a temperatura central. Em três horas, a redução da temperatura central foi menor entre o grupo de aquecimento com ar forçado (-0,5 ± 0,4°C), seguido pelo grupo com circulação de água (-1,2°C ± 0,4°C), grupo de umidificador aquecido (−2,0 ± 0,5°C) e o grupo de controle de pacientes não aquecidos (−2.0 ± 0.7°C).DOI: 10.1016/0952-8180(92)90064-8 Quando comparamos Temperatura Central, transfusão sanguínea e permanência hospitalar em pacientes aquecidos por ar forçado, hipotermia foi associada independentemente tanto às transfusões quanto à duração da hospitalização, embora o prolongamento da hospitalização tenha sido pequeno e sem significância. DOI: 10.1097/ALN.0000000000000551 Zink realizou um estudo que avaliou se a terapia de aquecimento por ar forçado aumentaria o número de colônias bacterianas. Os autores concluíram que o aquecimento com ar forçado, quando usado corretamente em uso único para cada paciente, não aumenta o risco de as bactérias presentes no ar contaminarem a ferida durante a cirurgia. DOI: 10.1213/00000539-199301000-00009 Considerando o tratamento de hipotermia por imersão leve em água fria com reaquecimento por ar forçado, Giesbrecht constatou que o aquecimento por ar forçado reduziu o patamar de temperatura e o estresse metabólico causado pelos tremores. E logo concluíram que o aquecimento por ar forçado é uma terapia segura que pode ser usada para o tratamento eficaz de pacientes hipotérmicos em serviços de emergência. “Esse podcast tem o apoio científico da 3M Health Care. A 3M acredita no poder da ciência para criar soluções que impactam a vidas dos pacientes, profissionais e instituições de saúde, reduzindo complicações relacionadas à assistência à saúde, como a hipotermia perioperatória.”
13-10-2021
18 min
#117 Dia Mundial da Trombose
Bom dia, boa tarde, boa noite! Bem vindo a mais um podcast do Medicina do Conhecimento! Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar, lembramos 13 de outubro, o dia mundial da trombose e do nascimento de um dos seus maiores pesquisadores, Rudolf Ludwig Karl Virchow O tromboembolismo venoso que vamos chamar de TEV compreende a trombose venosa profunda, TVP e sua consequência imediata mais grave, o tromboembolismo pulmonar, TEP. Em sua fase aguda, associa-se a alta probabilidade de complicações graves, muitas vezes fatais. Trata-se de uma doença de ocorrência multidisciplinar, caracterizada pela formação de trombos de forma oclusiva total ou parcial, em veias do sistema venoso profundo, e frequentemente relacionada a diversos fatores de riscos, que podem promover seu aparecimento súbito em pacientes hígidos ou como complicação clínica e/ou cirúrgica. Como fatores etiopatogênicos do TEV continuam-se a considerar-se os clássicos da tríade de Virchow, descrita em 1895: estase venosa, alteração de fatores de coagulação, no sentido de hipercoagulação e lesão do endotélio venoso3. Em sua fase crônica, pode ser responsável por inúmeros casos de incapacitação física e enormes custos socioeconômicos e pessoais, com o desenvolvimento de insuficiência venosa crônica grave, configurando a denominada síndrome pós-trombótica. E porque ele deve ser valorizado? O TEV também é descrito como a causa mais comum de mortalidade hospitalar prevenível. Trata-se de uma condição potencialmente grave, estando associada a 5-10% das mortes em pacientes hospitalizados7. Sem profilaxia adequada, a incidência de TEV durante internação hospitalar chega a níveis tão altos quanto 10- 40% entre pacientes clínicos e cirúrgicos e 40-60% após grandes cirurgias ortopédicas. A prevenção primária é, portanto, essencial, quando se considera morbidade e custos hospitalares. Ative a notificação para ser informado quando um novo podcast for publicado e escolha sua plataforma e ouça mais podcasts. Siga pelo Spotify, Deezer, Itunes, Google Podcasts, Soundcloud, Youtube e mais uma dezena de agregadores de podcast. Na medicina do conhecimento, você escolhe o player da sua preferência. É muito importante seu feedback. Compartilhe nas suas redes e deixe seu like. Isso aumenta a divulgação do projeto. Além disso, você pode entrar em contato conosco e sugerir o próximo tema! Escute a rádio web Medicina do Conhecimento e fique ligado nas redes sociais Twitter, Facebook e Instagram Medicina do Conhecimento, afinal compartilhar é multiplicar!
12-10-2021
14 min
#116 Por que o aquecimento de forma correta importa?
Bom dia, boa tarde, boa noite! Mais um podcast do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar seguimos falando da prevenção da hipotermia perioperatória. Para prevenir a hipotermia (temperatura central < 36°) e garantir a normotermia dos pacientes durante o período perioperatório, as melhores evidências de guidelines internacionais e nacionais recomendam o uso de aquecimento por ar forçado. 10.1056/NEJM199706123362407 A hipotermia também é uma preocupação e a sua prevenção vem sendo destacada pelo CFM em sua resolução 2.174 de 2017. Recomenda-se aquecer os pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos que possuam duração maior que uma hora. Anestesia e cirurgia comumente causam perturbações térmicas importantes no intra e pós-operatório imediato. A hipotermia, um resultado comum em até 90% dos pacientes, resulta de uma combinação de alteração do controle termorregulador na preservação da temperatura induzida por anestésicos, um ambiente de sala cirúrgica com baixa temperatura e fatores exclusivos da cirurgia que promovem a perda excessiva de calor. Os dados disponíveis na literatura sugerem que a inibição das defesas termorregulatórias normais contribuem mais para a hipotermia do que a exposição ao frio per se. Além disso, muito da hipotermia central resulta da distribuição alterada de calor corporal, em vez de um desequilíbrio sistêmico entre produção metabólica de calor e perda de calor. 10.1097/00000542-200002000-00042 Pela terapia de aquecimento por ar forçado a transferência de calor se deve ao ar aquecido aplicado às mantas térmicas que transmitem calor ao paciente de forma mais uniforme. Para prevenir a hipotermia e garantir o conforto do paciente cirúrgico, o aquecimento e o gerenciamento da temperatura devem ser realizados em todo o período perioperatório. Algumas medidas se mostram efetivas para garantir a normotermia, o conforto e a segurança do paciente. Dividindo-as por período, no pré-operatório, é importante monitorar ativamente a temperatura e iniciar o aquecimento por ar forçado sempre que possível antes mesmo da entrada na sala operatória. No intraoperatório, devemos gerenciar a temperatura central e manter o aquecimento por ar forçado o tanto necessário para impedir a hipotermia. E finalmente, no pós-operatório, continuar o gerenciamento da temperatura e a manutenção do aquecimento por ar forçado. Alguns cuidados se fazem necessários para maior segurança do paciente. Por exemplo, evitarmos o Housing, termo que identifica uma prática de aquecimento por ar que se caracteriza pela utilização de um sistema de aquecimento por ar forçado sem a utilização da manta adequada à posição cirúrgica do paciente. Nesta prática a temperatura se eleva e fica concentrada no bocal da mangueira, em contato com a pele do paciente, com risco de provocar queimaduras. A manta deve ficar em contato com a pele do paciente, não sendo recomendado o uso de insumos que interponham este contato. O Commingling é o termo a que se refere ao uso de mantas e unidades geradoras de calor incompatíveis. A incompatibilidade da manta com a unidade de aquecimento não garante um fornecimento de calor seguro e homogêneo. E o reuso de mantas de aquecimento aumenta o risco de infeccão do sítio cirúrgico devido à transmissão cruzada de microrganismos. 10.1034/j.1399-6576.1999.430209.x As instruções de uso de cada unidade de aquecimento devem estar bem difundidas na equipe, visando a segurança do paciente. Eventos adversos podem ser evitados, mas para isso devemos atuar ativamente para prestar uma assistência cirúrgica segura e livre de danos para os pacientes. “Esse podcast tem o apoio científico da 3M Health Care. A 3M acredita no poder da ciência para criar soluções que impactam a vidas dos pacientes, profissionais e instituições de saúde, reduzindo complicações relacionadas à assistência à saúde, como a hipotermia perioperatória.”
28-09-2021
6 min
#115 Hipotermia não intencional no pós-operatório
Bom dia, boa tarde, boa noite! Esse é mais um podcast do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar seguimos com a série de podcasts sobre a importância da prevenção da hipotermia perioperatória não intencional (HPNI). A prevenção da HPNI também proporciona a otimização dos tempos de recuperação do pós-operatório e da internação, com redução de biomarcadores de inflamação e resposta metabólica já na primeira hora pós-operatória, permanecendo com aumento de até 24 horas para alguns marcadores. Esse cenário reafirma a importância de um cuidado peri-operatório focado na redução do processo inflamatório decorrente do trauma cirúrgico. DOI: 10.5152/TJAR.2019.94715 Em um momento em que a valorização da experiência do paciente está cada vez mais em evidência, o conforto conceituado de holístico é o desejo de toda equipe multiprofissional. Entre as principais queixas dos pacientes no pós-operatório, encontramos dor, náuseas, vômitos e tremores por hipotermia. E nossa equipe tem consciência da importância dos cuidados. Perguntando a uma equipe de enfermeiras ligadas aos cuidados de pacientes cirúrgicos, 33% identificaram como manutenção da temperatura como uma das metas do conforto do paciente na sala de recuperação, além de controle da dor e posicionamento do paciente. Aos que participaram da pesquisa também foi questionado com que frequência o frio é uma questão de conforto para seus pacientes. A maioria (71%) respondeu que o frio costuma ser um problema para alcançar o conforto. DOI 10.1016/j.jopan.2004.03.006 O aquecimento pode-se dar por convecção ou condução. Sistemas convectivos, como as mantas térmicas e sistemas condutivos, como cobertores elétricos, colchões de água e pads, aquecem o paciente de diferentes modos. Em relação à porcentagem de área do corpo do paciente aquecida, o aquecimento convectivo cobre cerca de 64%, e o condutivo chega a 20%. As mantas térmicas promovem temperatura controlada através do fluxo de ar, direcionado à superfície corpórea, que circula entre os contornos do corpo, sem pontos de pressão. O aquecimento condutivo usa contato do calor em pontos de pressão, devendo ser controlado para se evitar lesões térmicas. As mantas descartáveis são de uso único, prevenindo contaminação cruzada e redução do risco de infecção de sítio cirúrgico. O uso de colchões necessita de rotina bem estabelecida para limpeza e desinfecção. Comparando-se as alterações na temperatura corpórea média, o uso do ar forçado pode elevar a temperatura em 4°C em 2 h, enquanto o colchão de água pode demorar até 6 h para aumento dessa temperatura, sendo mais lento que 3 cobertores de algodão. Importante lembrar que a infusão de líquidos frios diminui a temperatura do paciente cirúrgico. Cada litro infundido à temperatura ambiente (ou de sangue a 4°C) pode diminuir a temperatura corporal em 0,25°C. A INS ins1.org ONG ligada à infusoterapia evidencia que métodos de aquecimento, incluindo, mas não limitados a fornos de microondas, banhos de água quente e dispositivos que não sejam expressamente desenhados para o aquecimento de líquidos e sangue, podem apresentar muitas dificuldades para a monitorização da temperatura desejada, além de riscos de infecção não poderem ser controlados. Vale a pena ressaltar que pode ocorrer queda da temperatura no trajeto do frasco até a corrente sanguínea sob influência do comprimento do equipo e das condições ambientais de temperatura da sala que devem ser considerados e monitorados. “Esse podcast tem o apoio científico da 3M Health Care. A 3M acredita no poder da ciência para criar soluções que impactam a vidas dos pacientes, profissionais e instituições de saúde, reduzindo complicações relacionadas à assistência à saúde, como a hipotermia perioperatória.”
09-09-2021
9 min
#114 Hipotermia não intencional no intra-operatório
Bom dia, boa tarde, boa noite! Esse é mais um podcast do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar lançamos uma série de podcasts para discutirmos e destacarmos a importância da prevenção da hipotermia perioperatória não intencional. Ninguém quer congelar seu paciente no intra-operatório, mas de forma frequente, nós os levamos a riscos de hipotermia não intencional. A hipotermia perioperatória inadvertida ou não intencional é considerada uma complicação frequente da cirurgia e pode ser evitada, desde que tomemos medidas preventivas. E trata-se de um evento que pode atingir até 90% dos pacientes cirúrgicos e é definida como a temperatura corporal central menor que 36.0°C. As repercussões são amplas e podem incluir alterações na farmacocinética de drogas hipnóticas, redução do fluxo sanguíneo hepático e aumento da duração de relaxantes musculares, publicado por trabalhos desde 1995 pelo grupo de Leslie e Sessler. DOI: 10.5482/HAMO-12-05-0011 A hipotermia perioperatória causa vasoconstrição periférica, diminuindo o oxigênio tecidual e tornando a ferida operatória mais suscetível à infecção, principalmente em cirurgias colorretais, mesmo que os níveis de contaminação sejam baixos. Melling publicou no Lancet um estudo controlado randomizado que conseguiu associar o aquecimento pré-operatório aos efeitos do uso de antibioticoprofilaxia em cirurgias limpas, sugerindo a redução de alergias e resistência ao uso dos antibióticos. Isso está cada vez mais atual frente aos protocolos de otimização e recuperação do paciente cirúrgico defendido e validado por várias sociedades de especialidade pelo mundo. DOI: 10.1016/S0140-6736(01)06071-8 Estudos internacionais mostram que a manutenção da temperatura corporal oferece vantagens significativas para a saúde do paciente, como redução de sangramento e diminuição da necessidade de produtos sanguíneos. O paciente sangra no intra-operatório e você não identifica causa aparente? Verifique e corrija acidose, hipotermia e o cálcio de seu paciente. Por isso escolha bem seu líquido de manutenção intraoperatória, sempre use métodos para manter a temperatura do paciente e inclua o cálcio como importante eletrólito para monitorização laboratorial durante sua anestesia. Junto com boa hemostasia cirúrgica, esse fatores corrigidos podem ser o fator diferencial para cessar a hemorragia intraoperatória. Você pode ouvir mais sobre esse tópico no podcast Sangramento no intraoperatório! Em artigo do Departamento de Anastesia e Cuidados Intensivos do Hospital de Amstetten, Austria, Schmied e Reiter evidenciaram que a hipotermia central em pacientes submetidos a artroplastia de quadril pode aumentar em até 500 ml o volume de perdas sanguíneas. Em pacientes idosos e muitas vezes com anemia pré-operatória, a perda desse volume pode ser decisivo para eventos adversos no perioperatório. DOI: 10.1016/S0140-6736(96)90466-3 Do ponto de vista da proteção cardiovascular, a manutenção da normotermia perioperatória reduz a morbidade dos eventos cardíacos. Em ensaio clínico randomizado publicado no JAMA, 300 pacientes submetidos a procedimentos abdominais, vasculares e torácicos com história ou risco aumentado para doença coronária apresentaram diminuição de eventos cardiovasculares. Em analise multivariável, a hipotermia foi um preditor independente de eventos cardíacos, indicando 55% de redução do risco na manutenção da normotermia. Além disso, taquicardia ventricular ocorreu em menor incidência no grupo de normotermia. Lembre-se que sempre vale a pena manter seu coração aquecido! DOI: 10.1001/jama.1997.03540380041029 “Esse podcast tem o apoio científico da 3M Health Care. A 3M acredita no poder da ciência para criar soluções que impactam a vidas dos pacientes, profissionais e instituições de saúde, reduzindo complicações relacionadas à assistência à saúde, como a hipotermia perioperatória.”
09-09-2021
7 min
#113 Trombose e covid na UTI
Bom dia, boa tarde, boa noite! Bem vindo a mais um podcast do Medicina do Conhecimento! Nosso podcast #113. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar, vamos falar eventos trombóticos e UTI. Estamos vivendo um momento ímpar na pandemia de COVID 19. Vimos que nossas unidades estão desmobilizando leitos, pois parece que estamos reduzindo as internações de pacientes mais graves. Um desafio ainda permanece. Pacientes com COVID-19 sofrem uma alta incidência de eventos tromboembólicos, associados a uma forma distinta de coagulopatia observada em pacientes com COVID 19 e que podem ser diagnosticados por ultrassom à beira do leito. Felizmente, no entanto, um estudo recente também descobriu que essa incidência não estaria associada a um risco aumentado de morte. Apesar de ser um estudo observacional realizado no Montefiore Medical Center de New York, os autores investigaram a incidência cumulativa de eventos tromboembólicos na população de pacientes internados durante e por causa da pandemia, usando ultrassom point-of-care para rastrear e diagnosticar trombose venosa profunda de membros inferiores. Foram incluídos 107 pacientes adultos (idade média de 60 anos; sendo 58% do sexo masculino), todos com diagnóstico confirmado de COVID-19 e internados nas UTIs da instituição entre abril e maio de 2020. A maioria dos pacientes eram hispânicos (55%) e 30% negros. A comorbidade mais comum foi hipertensão, seguida por diabetes e doença renal crônica. Todos os pacientes sobreviventes foram examinados no acompanhamento aos sete e 14 dias após a alta. Todos os participantes foram submetidos a um exame de ultrassonografia à beira do leito no dia 1 de sua internação na UTI. O acompanhamento foi realizado em 62% após sete dias, e 41% tiveram um exame de acompanhamento em 14 dias de pós-alta. Noventa por cento dos pacientes recebem profilaxia de TVP seguindo protocolos institucionais no momento da admissão na forma de heparina subcutânea, enoxaparina ou inibidores diretos da trombina. O estudo descobriu que os pacientes que experimentaram um evento tromboembólico tinham níveis de dímero D significativamente mais elevados do que outros pacientes que não sofreram tal evento. Nenhuma outra diferença significativa foi observada entre os grupos em outros valores laboratoriais, incluindo níveis de pico de ferritina, proteína C reativa, procalcitonina ou fibrinogênio. 12 pacientes (30%) falharam na anticoagulação terapêutica, conforme demonstrado pela ocorrência de eventos tromboembólicos apesar de estarem em anticoagulação em dose completa. A incidência cumulativa de qualquer evento tromboembólico foi estimada em 36% em 30 dias e 46,1% em 60 dias após a admissão hospitalar. Os pesquisadores também descobriram que por 60 dias, 21% dos pacientes haviam sofrido uma TVP da extremidade inferior, enquanto 10% tinham uma TVP da extremidade superior. No entanto, a ocorrência de um evento tromboembólico não foi associada a um maior risco de morte (razão de risco, 1,08; P = 0,81). Em conclusão ao estudo, os pacientes com COVID-19 na UTI têm uma alta incidência cumulativa de eventos tromboembólicos, e uma porcentagem muito alta desses pacientes falhou na prevenção de fenomenos tromboembolicos mesmo com terapia de anticoagulação, mas isso não esteve associado a uma mortalidade maior”. A ultrassonografia point of care foi uma excelente ferramenta para ajudar na triagem e diagnóstico de TVP durante a pandemia. Apesar do estudo não demonstrar correlação entre trombose e mortalidade, os pacientes acometidos com COVID 19 possuem multiplos fatores de risco que podem levá-los ao óbito. Vale também ressaltar que a anticoagulação pode não ser uma estratégia totalmente eficaz e que o rastreio de complicações trombóticas deve fazer parte da estratégia durante a internação. O que você pensa sobre o assunto? Comente nas nossas redes sociais. Afinal, compartilhar é multiplicar.
30-06-2021
8 min
#112 Cuidados paliativos e UTI: o que aprendemos com o COVID?
Bom dia, boa tarde, boa noite! Bem vindo a mais um podcast do Medicina do Conhecimento! Nosso podcast #112. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar, expandimos o mundo do conhecimento para os cuidados paliativos. Apresentamos a parceria do Medicina do Conhecimento e Paliares, um grupo de competentes médicos especialistas em Cuidados Paliativos, além de geriatras, hematologista e intensivistas. Essa parceria com certeza vai dar o que falar! Ou melhor, que vai dar o que cuidar. Afinal, um dos belos objetivos desse grupo é “Ser o cuidado que você gostaria de receber”! Nesse podcast, trazemos uma conversa profunda entre as colegas Carolina Sarmento e Giovanna Zanatta de Carvalho, médicas intensivistas e paliativistas. Sejam bem vindas ao podcast do Medicina do conhecimento. A palavra é de vocês! Esse podcast foi extraído da live: UTI, COVID e cuidados paliativos: o que a gente aprendeu? Veja mais no instagram @carolasarmento https://www.instagram.com/carolasarmento/ Ative a notificação para ser informado quando um novo podcast for publicado e a qualquer momento e em todo lugar, escute a rádioweb no www.medicinaconhecimento.com.br enquanto você vai ou volta do seu trabalho, durante seu esporte, seu lazer. Lá você escuta música e informação a qualquer momento, em todo lugar. Fique ligado nas redes sociais Twitter, Facebook e Instagram Medicina do Conhecimento, afinal compartilhar é multiplicar!
18-06-2021
31 min
#111 Vinhos naturais: da vinha ao vinho#110 Cuidar de quem cuida#108 Novo opióide na prática clínica da dor aguda
Bom dia, boa tarde, boa noite! Bem vindo a mais uma pílula, dica rápida do Medicina do Conhecimento! Nosso podcast #108. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar, nesse podcast falamos sobre o novo opióide de uso hospitalar já liberado pelo FDA. A Food and Drug Administration aprovou a oliceridina, um agonista opióide para controlar a dor aguda de moderada a intensa em adultos. Dor forte o suficiente para exigir um opióide IV e para os quais os tratamentos alternativos são inadequados, contudo que seja por um curto prazo. A primeira nova entidade química nesta classe de drogas endovenosas em décadas, a oliceridina é um agonista opióide com início de ação de dois a cinco minutos. Para o laboratório Trevena, responsável pelo lançamento, oferece um perfil diferenciado que atende a uma necessidade significativa de pacientes antes não atendidos no cenário de gerenciamento de dor aguda. Além disso, a oliceridina não requer ajustes de dosagem em pacientes com insuficiência renal, uma grande população de pacientes com maior risco de complicações clínicas. A aprovação da FDA foi baseada nos resultados de vários estudos de fase 3 que avaliaram a oliceridina em mais de 1.500 pacientes com dor aguda moderada a intensa. O perfil de segurança da oliceridina é semelhante ao de outros opióides. Tal como acontece com outros opióides, os efeitos colaterais mais comuns são náuseas, vômitos, tonturas, dor de cabeça e constipação. Seu uso é contra-indicado para pacientes com depressão respiratória; asma brônquica aguda ou grave em ambiente não monitorado ou na ausência de equipamento de ressuscitação; obstrução gastrointestinal conhecida ou suspeita; ou hipersensibilidade conhecida ao medicamento. Vale também reforçar que o uso prolongado de analgésicos opióides durante a gravidez pode resultar na síndrome de abstinência de opioides neonatais. Um mg da droga corresponde a cerca de 5 mg de morfina. A oliceridina é um agonista opioide completo e é relativamente seletiva para o receptor opioide mu. A principal ação terapêutica da oliceridina é a analgesia. Como todos os agonistas opioides completos, não há efeito teto para analgesia. Clinicamente, a dosagem é titulada para fornecer analgesia e pode ser limitada por reações adversas, incluindo depressão respiratória e do SNC. O mecanismo preciso da ação analgésica é desconhecido. No entanto, receptores específicos de opioides do SNC para compostos endógenos com atividade semelhante a opióides foram identificados no cérebro e ao longo da medula espinhal e acredita-se que desempenhem um papel importante nos efeitos analgésicos dessa droga. A aprovação de uma droga opioide no momento atual é relevante, pois a FDA se mostra sensível ao grave problema de dependência de opioides nos Estados Unidos e ve como boa prática a tentativa de redução do número de usuários dessa classe de drogas. A cada ano, aproximadamente 45 milhões de pacientes internados nos Estados Unidos recebem um opioide IV para tratar a dor aguda. Muitos desses pacientes possuem patologias complexas e de difícil tratamento, como idosos, obesos ou com deficiência renal. As tendência atual sugere que o número desses pacientes está em ascensão, representando uma carga cada vez maior para o sistema de saúde. Ative a notificação para ser informado quando um novo podcast for publicado e a qualquer momento e em todo lugar, escute a rádioweb no www.medicinaconhecimento.com.br enquanto você vai ou volta do seu trabalho, durante seu esporte, seu lazer. Lá você escuta música e informação a qualquer momento, em todo lugar. Fique ligado nas redes sociais Twitter, Facebook e Instagram Medicina do Conhecimento, afinal compartilhar é multiplicar!
25-02-2021
5 min
#107 Medicamentos no pré-operatório. Suspender ou não?
Bom dia, boa tarde, boa noite! Bem vindo a mais um podcast! O #107 do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar, nesse podcast apresentamos um resumo de uma das aulas do Euroanaesthesia 2020, o congresso da sociedade européia de anestesiologia e medicina intensiva. Mais da metade dos pacientes que chegam aos consultórios do médico anestesiologista para sua consulta anestésica pré-operatória tomam medicamentos regularmente. E devemos decidir qual deles devemos continuar ou interromper durante o período perioperatório. “No entanto, trata-se de uma centena de medicamentos e novidades são lançadas rotineiramente pela indústria. Como resultado, as recomendações podem variar consideravelmente e são amplamente baseadas na opinião de especialistas, embora existam algumas diretrizes como a publicada em 2018 no Guideline publicado na European Journal of Anaesthesiology. DOI doi: 10.1097/EJA.0000000000000817 Os princípios gerais do gerenciamento de medicamentos incluem a obtenção de um histórico médico detalhado que deve ser avaliado por todos os médicos envolvidos no cuidado perioperatório do paciente. O manejo da medicação também deve ser discutido durante a consulta pré-operatória (e não apenas na noite antes da cirurgia, que pode ser um momento tarde demais para interrupção de muitos medicamentos que já deveriam ser interrompidos!). Além disso, cada hospital deve ter diretrizes de reconciliação medicamentosa pré-operatória, facilitando à equipe na continuidade do uso crônico de fármacos pelo paciente. O histórico de medicação de cada paciente deve ser atualizado já nas primeiras 24 horas da admissão. E isso pode ser feito por uma equipe competente de farmacêuticos clínicos, tornando o processo multiprofissional e com menor risco de erros. Também é importante incluir no histórico o uso de todos os medicamentos, incluindo os com prescrição médica, produtos sem receita, remédios fitoterápicos e não esquecendo do uso de álcool, nicotina e drogas ilícitas. No período intra-hospitalar, temos o desafio de alterar as vias de administração entre os fármacos de uso oral para endovenoso em função de alterações do trato gastrointestinal. E estarmos atentos para o risco de interações medicamentosas pelo uso de drogas anestésicas aos habitualmente em uso. Para medicamentos de uso crônico administrados no dia da cirurgia, pelo menos duas horas devem ser reservadas para sua absorção adequada após administração por via oral. Cuidados especiais devem ser tomados com as formulações de liberação lenta, uma vez que podem não ter sido totalmente liberadas no momento da indução de anestesia. A decisão crucial sobre a interrupção ou não dos medicamentos deve ser baseada em um equilíbrio entre a condição clínica e as comorbidades do paciente e os requisitos específicos da cirurgia proposta, incluindo anestesia e controle de analgesia pós-operatória. Na necessidade de início de medicações de uso crônico que terão seu ajuste ambulatorial pós-alta, talvez seja prudente acionar especialidades clínicas que poderão dar continuidade no tratamento. Apesar de entendermos que a otimização de medicações no período pré-operatório seja importante e deva ser sistematizada, no entanto, faltam evidências de alto nível para vários grupos farmacológicos. De qualquer forma talvez seja prudente evitar novas terapias nesse momento. Continuar com a medicação no período perioperatório é melhor do que parar, mas é fundamental conhecer os riscos, sabendo quais medicamentos você deve parar e quando. Atenção aos fitoterápicos! Muitos devem ser interrompidos uma ou até duas semanas antes da cirurgia, uma vez que esses medicamentos não são inertes e em alguns casos podem interferir no rol de medicamentos anestésicos.
16-02-2021
7 min
#106 A nova realidade fora da sala operatória
Bom dia, boa tarde, boa noite! 2021 ainda exigirá de nós muita resiliência e acredito que o ano de 2020, associado para sempre como o ano da Pandemia, deixou mudanças profundas na nossa rotina. Esse é mais um podcast do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar seguimos com um assunto sem fronteiras no mundo do conhecimento. Uma interessante reflexão da colega anestesiologista Liliana Suárez, à partir de um artigo publicado na revista colombiana de anestesiologia e um editorial na Sociedade Européia de Anestesiologia e Medicina Intensiva nos lembra que nossas sociedades nunca haviam enfrentado uma situação como a crise atual. O que levou a mudanças drásticas no estilo de vida, independentemente de nichos acadêmicos, culturais, raciais, religiosos, políticos ou econômicos. Cada país teve que implementar políticas diferentes para tentar atender os requisitos que a doença nos exige e poder oferecer a todos os pacientes a oportunidade de ter acesso à saúde. E claro, todas essas políticas tem impactado significativamente a atividade do anestesiologista. Por períodos distintos para cada parte do mundo, o principal deles incluiu a suspensão de cirurgias eletivas e outros procedimentos diagnósticos, a mudança de esforços no perioperatório nos serviços de cuidados intensivos e o planejamento para uma “nova realidade” após a principal onda da pandemia. Esta "nova realidade" no exercício da anestesia fora da sala de cirurgia, especificamente em procedimentos sob sedação e transporte de pacientes críticos, envolveu um aumento nas recomendações de manejo padrão, como lavagem das mãos e, adicionalmente, o uso de equipamentos de proteção individual como dispositivos de barreira contra a COVID-19. Sim senhores! Aprendemos a lavar as mãos! E passamos a valorizar os aventais, máscaras, óculos, protetores faciais que muitas vezes já deveriam ser usados em pacientes com patógenos multirresistentes e isolamento respiratório. E pasmem! Aprendemos até que deveríamos tomar banho antes de sair do hospital e cuidar muito bem de nossas peças de roupas usadas na jornada de trabalho. Esse conceito dinâmico que a comunidade global da anestesia deverá adotar a partir de agora criará uma nova realidade que afetará a vida individual, familiar, coletiva, social e econômica, e criará um novo ambiente ocupacional para o anestesista. Todas essas mudanças se traduzem no desenvolvimento de novos protocolos de manejo do paciente para continuar oferecendo sedação segura, levando em consideração que o pessoal de saúde, o paciente e sua família devem ser protegidos, e não esquecendo a necessidade constante da população de realizar procedimentos ambulatoriais nas diferentes áreas da saúde (odontologia, endoscopia, ginecologia, urologia, medicina estética, diagnóstico por imagem, oftalmologia e tantas outras áreas). Em algum momento todos os procedimentos necessitarão ser retomados, afinal, o risco do não diagnóstico de doenças oncológicas, cardiovasculares e crônicas pode piorar ainda mais o cenário da pandemia. Somos considerados uma especialidade de liderança, e neste momento da história, somos obrigados a trabalhar em equipe mais do que nunca. O mundo exige de nós uma correta aplicação dos protocolos institucionais nas melhores evidências. O objetivo é oferecer com segurança a conformidade de que todos os pacientes “devem receber” nos procedimentos também fora da sala de cirurgia. O que você pensa sobre o assunto? Comente nas nossas redes sociais e faça parte das discussões. Fique ligado nas redes sociais Twitter, Facebook e Instagram Medicina do Conhecimento, afinal compartilhar é multiplicar! 1. Calabrese, G. Colombian Journal of Anesthesiology 2020;48:105 doi: 10.1097/CJ9.000000000000000175. 2. Suárez Aguilar L. Colombian Journal of Anesthesiology. 2020;48:e929.
11-02-2021
5 min
#105 Cirurgia e Anestesia Seguras
Bom dia, boa tarde, boa noite! Bem vindo a mais um podcast o de #105 do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar, faremos aqui uma livecast, um interação entre cirurgia e anestesia seguras com Dr Alberto Buge Stein. O áudio foi captado de nossa live no Instagram @dralbertostein . Dr Alberto é graduado em medicina pela Universidade Federal do Espírito Santo. Especialista em cirurgia geral e cirurgia do aparelho digestivo. Com experiência em cirurgia do aparelho digestório, cirurgia laparoscópica avançada, cirurgia robótica, cirurgia bariátrica e transplante hepático. O que você pensa sobre o assunto? Comente nas nossas redes sociais e faça parte das discussões pelo grupo Anestesiador do Telegram. Ative a notificação para ser informado quando um novo podcast for publicado e a qualquer momento e em todo lugar, escute a rádioweb no www.medicinaconhecimento.com.br enquanto você vai ou volta do seu trabalho, durante seu esporte, seu lazer. Lá você escuta música e informação a qualquer momento, em todo lugar. Escolha sua plataforma e ouça mais podcasts. Siga pelo Spotify, Deezer, Itunes, Google Podcasts, Soundcloud, Youtube e mais uma dezena de agregadores de podcast. Na medicina do conhecimento, você escolhe o player da sua preferência. É muito importante seu feedback. Compartilhe nas suas redes e deixe seu like. Isso aumenta a divulgação do projeto. Além disso, você pode entrar em contato conosco e sugerir o próximo tema! Fique ligado nas redes sociais Twitter, Facebook e Instagram Medicina do Conhecimento, afinal compartilhar é multiplicar!
04-02-2021
53 min
#104 Dicas para segurança do seu paciente
Bom dia, boa tarde, boa noite! Esse é mais um podcast do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar seguimos com um assunto sempre atual no mundo do conhecimento, a segurança e a prática anestésica. “Esse podcast tem o apoio científico da 3M Health Care. A 3M acredita no poder da ciência para criar soluções que impactam a vidas dos pacientes, profissionais e instituições de saúde, reduzindo complicações relacionadas à assistência à saúde, como a hipotermia perioperatória.” Publicada em 2017, todo ato anestésico deve obedecer aos critérios estabelecidos na Resolução do Conselho Federal de Medicina 2.174. Tratam-se de novas orientações de boas práticas. Além da parte burocrática de um documento, a resolução também aborda ações para a segurança do paciente, regulamenta e coloca pontos básicos para eficiência desse processo. A segurança do paciente é uma cultura que merece ações e tecnologias específicas. O foco peri-operatório precisa estar profundamente enraizado entre os objetivos habituais e, por isso, a continuidade da monitorização e zelo se fazem necessários na sala de recuperação anestésica desde a admissão até o momento da alta. Nela, os pacientes permanecerão monitorizados e avaliados clinicamente quanto à circulação, incluindo aferição da pressão arterial e dos batimentos cardíacos e determinação contínua do ritmo cardíaco por meio da cardioscopia; à respiração, incluindo determinação contínua da saturação periférica da hemoglobina; ao estado de consciência; à intensidade da dor; ao movimento de membros inferiores e superiores pós-anestesia regional; ao controle de náuseas e vômitos; e por último, mas não menos importante, ao controle da temperatura corporal e dos meios para assegurar a normotermia. O que podemos tirar de mais importante dessa resolução? Eu ressaltaria 3 importantes aspectos: a necessidade de comunicação, a importância da monitorização e o registro claro e transparente dos dados. O foco principal sempre será a prevenção de eventos e um aprimoramento constante da segurança e atenção com o paciente. Ative a notificação para ser informado quando um novo podcast for publicado e a qualquer momento e em todo lugar, escute a rádioweb no www.medicinaconhecimento.com.br
16-11-2020
9 min

0:00